segunda-feira, 26 de outubro de 2009

A tela branca



A tela branca pergunta: O que você vai fazer agora? Olho para a janela e vejo uma paisagem de possibilidades. Talvez não haja mais nada opressor do que isso. A grande angústia deste começo de século é esta. Antigamente, a questão era o que estamos fazendo. Hoje é o que podemos fazer. Tenho a sensação crescente que a dúvida seguinte será o que deveríamos estar fazendo. O problema está no timing. Será tarde demais quando olharmos para nossas escolhas e notarmos que há algo errado com elas? A tela branca sorri e desafia: decifra-te ou devore-te. Enquanto isso, ficamos no meio, aguardando. Sempre com o mesmo pensamento vago: vai chegar hora em que tudo fará sentido.


Novo texto em Caneta, Lente, Pincel

Still do filme Histórias Extraordinárias. A imagem que ilustra a apresentação deste blog veio da mesma fonte.


Os tempos estão mudando como um filme em slow motion e cortes abruptos.

sábado, 17 de outubro de 2009

Devastação

Ontem, entrando no Kibeloco, esbarrei num vídeo do Youtube. No caso, era um breve crossover entre os clássicos da Sega, "Donkey Kong" e "Mortal Kombat" (os quais joguei avidamente nos distantes anos 90...). Curioso, descobri que o imaginativo internauta tinha feitos outros mashups. Três, para ser exato. Um muito bom era Sonic com Pac Man. Mas meu favorito foi outro. Aviso que não é indicado para os ecologicamente sensíveis ou aqueles que não curtem uma piada infame de vez em quando:



Adoro sangue e comédia. Quando os dois se juntam, é batata!


Não sei quanto a vocês, mas me lembrei dos primeiros episódios de "South Park". As caçadas de Tio Jimbo e Ned que, para matar quantos animais quisessem, gritavam:
"Está vindo em nossa direção.", simulando autodefesa.
Aí, eles acabavam com a fauna da maneira mais sanguinolenta possível. Posteriormente, uma lei foi aprovada, banindo este mecanismo. Jimbo e Ned, no entanto, encontraram uma nova justificativa para saciar sua sede por fazer animais diversos em pedaços: "Estamos mantendo o controle populacional" ou algo assim. Hilário. Talvez eles devam ir para os Everglades.


Em breve... variedades

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Give it up for love...

Por que nos deixar levar pelo amor se esse sempre nos deixa?...

A imagem é de uma interessante série americana de 2008, "Swingtown". A trama é sobre três casais de vizinhos e se passa durante a metade dos anos 70, quando uma revolução comportamental ocorreu. Especificamente, o papel da mulher da sociedade, o surgimento do pop, questionamentos políticos e as liberdades de expressão e sexual (daí, o título). Exibida pela rede CBS, durou apenas uma temporada. Uma pena. Acredito que se tivesse ido para uma rede privada (uma HBO, Showtime ou AMC da vida...), estaria no ar até hoje. Por outro lado, talvez não. Veja o que houve com "Deadwood"...

Mas não é sobre "Swingtown" que desejo tratar. Fica a dica, no entanto.

Em minhas incessantes horas em frente ao computador, encontrei um texto que utilizava esta mesma foto: "I'm Feelin' Sexy but Monogamy is Killin' It" . No post, a autora discorria sobre o desejo por aventuras fora de seu relacionamento. Apesar de se dizer feliz com o marido, ela sente impulsos sexuais e discorre sobre o papel da monogamia. Ela, inclusive, cita um estudo sobre a fidelidade entre mamíferos. Em particular, destaco este trecho:


"Sexual monogamy is the practice of having sex only with one mate at a time. Social monogamy is when animals form pairs to mate and raise offspring but still have flings—or "extra-pair copulations" in science lingo—on the side"

Talvez a saída seja essa? Não acho. Afinal, controlar impulsos é o que nos separa dos animais. Mas há uma razão em questionar a função da fidelidade quando a "monogamia social" parece ser uma palavra de ordem. Por mais felizes que estejamos com nossa "cara metade", o desejo sempre vai existir. Mas o que fazemos com ele? Ouvimos seu chamado? Isso não é necessariamente trair alguém. Pode-se terminar o relacionamento (me vem à mente a expressão mais infame da face da Terra: "Tá na hora de procurar coisas novas."), recorrer a formas auto-satisfatórias ou até negociar com a outra pessoa. O mais normal e aceito é reconhecer isso para si mesmo, esquecer e seguir em frente.

O que me pergunto é o seguinte: aceitando o conceito de monogamia como dependente de nossa consciência e que não há de errado com reconhecimento do desejo, qual é o fator que está por trás disso? O que faz este desejo tão forte em nós? Eu não tenho uma resposta. Nem sei como poderia... Suspeito que esteja ligado à eterna insatisfação humana. Por mais que tenhamos realizado conquistas consideráveis, que, talvez, nossas existências não sejam tão "miseráveis" quanto fantasiamos, não acreditamos na segurança. A vida mostra de forma bem cruel como tudo o que parece ser para sempre pode lhe ser tirado da noite para dia. Há pessoas que se dedicam à auto-sabotagem para evitar uma decepção maior do outro. "Melhor eu acabar com isso tudo antes que ela/ele, porque, pelo menos, terei algum controle." Por não ter resposta: faço mais uma pergunta: Por que não podemos ser felizes com o que temos? Não sei porque gratidão e conformismo precisem andar de mãos dadas. São coisas diferentes. Procure num dicionário.

Algo me diz que voltarei a comentar este tópico em outro texto. Até lá, então.


Curiosidade: a música tema de "Swingtown", Give it up for love, foi composta especialmente para série por Liz Phair. A ideia era da canção sair no cd com a (excelente) trilha da série. Infelizmente, o final prematuro de "Swingtown" impediu isso. Se alguém souber como adquirir esta música (ou se o cd saiu mesmo, pois não procurei esta informação atentamente), por favor, avise. Obrigado, DRR

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Aviso aos navegantes 2

No site "Almanaque Virtual", estão duas novas análises de livros minhas. Os livros em questão são "O guia de sobrevivência aos zumbis" de Max Brooks e "O contorno do sol" por Natália Nami. Leia a respeito aqui e aqui!

Enquanto isso, no mesmo site, saiu uma avaliação do livro no qual participei como autor, "Clube da leitura: modo de usar, vol. I"! Leia aqui!

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Cindy


Cindy está sentada no meio fio da calçada. O dia surge no horizonte e não há mais clientes à vista. Ela resolve dar um mergulho na mar. Apesar de estar numa cidade litorânea há quase um ano, nunca tinha ido à praia. Ela tira seus sapatos de cristal e anda até a praia.
Ela fecha os olhos e relembra sua trajetória. Há muitos anos atrás, ela não estava numa situação melhor do que esta. Vivia com a madrasta e as filhas dela. Trabalhava dia e noite na faxina da casa, sem receber salário. Dormia na dispensa. Assim, para conseguir algum dinheiro, saía às escondidas à noite e fazia ponto numa viela no centro do Reino Encantado.
Um dia, quando comprava um cigarro a varejo na banca de jornal que ficava perto do seu trabalho noturno, notou a capa de uma revista de celebridades. O Príncipe Encantado, um dos solteiros mais cobiçados da cidade, estava dando um baile para a alta sociedade. Imediatamente, Cindy percebeu o potencial daquele evento. Com a ajuda de amigos da noite, se vestiu e penetrou na festa.
Sua história ficou conhecida. Garota pobre e batalhadora se casa com o herdeiro do trono. Cindy adorou a nova fama e o Príncipe até que não era mal quando se tratava de satisfazê-la. No entanto, os ratos queriam uma parte da grana que Cindy agora possuía e a chantagearam com fotos de seus tempos na zona. Sem saída, fugiu para o litoral, levando todo o dinheiro da família real.
Após gastar tudo em três meses, Cindy voltou às ruas. Embora às vezes fique com saudades de seu tempo de princesa, não se arrepende. Embora divida uma quitinete com outras três meninas, tem um cantinho que pode chamar de seu. Também pode mergulhar no mar quando quiser. Ela sempre quis fazer isso quando morava em Reino Encantado. E ainda conservou seus sapatos de cristal!

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Aviso aos navegantes 1

O blog "Caneta, lente e pincel" acabou de publicar um texto meu, o conto "Vermelho". Além do história, há uma bela ilustração de Maria Matina, que me inspirou na construção da trama. Passem por lá e, claro, comentários são mais que bem vindos.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Fusão

A chuva cai. O sangue escorre gelado dos dedos. Um último suspiro se perde na força do vento.